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Abrigo

  • 2023

    Abrigo

Uma criação para nove intérpretes e uma sousafonista.
Abrigo é um desdobramento carnavalesco de figuras insolentes e celestiais.

Abrigo segue o princípio de todas as minhas outras criações: escolher um lugar, fazer um rosto, abrigar ali formas de vida e pensamentos, jardinar as possibilidades até criar um problema. Desde Céu (2012), passando pelo corpo-lugar de Inês (2014), pela Rua (2015), pela Calçada (2019), pela Metrópole (2021), pela noção de eros dentro da terra em Erosão (2021) ou na poética do rosto proposta pelo O olho a boca e o resto (2017), estou procurando lugares abrangentes, capazes de manifestar a fragilidade dos corpos em relação à violência social, para encenar ansiedades, brigas, enredos. Esta escolha estética de cruzar lugares anda de mãos dadas com a vontade de coreografar elos e formas, de dançar cumplicidades; mas sobretudo de propor aos espectadore.a.s a experiência de remobilizar o pensamento e o olhar e a comunidade através da força da alegria. Com cada criação, um processo é posto em prática para dizer algo sobre este mundo de violência e também de coragem, um mundo que nos pede ainda mais hoje para acreditar na metamorfose, na co-construção e na contaminação como território de misturas povoadas de humor, diversidade e vitalidade. A partida do Abrigo, que  questiona desta vez  a própria idéia de lugar e do seu poder de proteção, começa com a seguinte pergunta: o que pode nos abrigar, hoje, de forma específica, na direção de um envolvimento coletivo alimentado por nossas próprias lutas, nossas vulnerabilidades e nosso conhecimento prático, corporal e, sobretudo, concreto?

Abrigo: Espaço Refúgio
Estamos procurando um abrigo capaz de abrigar uma forma de solidariedade, de produzir a sensação de estar apegado a uma terra e a alguém, de estar ao mesmo tempo globalizado e conectado com terras distantes. A terra está indo mal e a fantasia da destruição total nos assombra. Chegou a hora de provar este solo que está cedendo. É hora de enfrentar esta indigestão causada pelo tremor do chão. Mas também é hora de sonhar com uma proteção eficaz contra os insultos do capital canibal. Construir um abrigo, modesto e solidário, que nos coloque fora de perigo e distante de qualquer vontade de dominar do homem contra a vida, a natureza, o corpo. Não sem riso, pois não há sentimento de catástrofe ou apocalipse. Será necessário continuar, e o riso pode nos ajudar a construir melhor um verdadeiro abrigo; refúgio do mal obsessivo. O humor cria uma atmosfera de apaziguamento na qual os eco-palhaços-queers-marginais (8 bailarinos + 1 música) vêm para trazer considerações terrestres. Para cada palhaço.a um pronome: água, palavras, poluição, tempestade, inundação, ser eruptivo, ser híbrido, barriga de monstro, hacker-pirate. O riso é nosso abrigo. A assembléia também. Este riso que queremos não é procurado como uma ferramenta para provocar o riso de si mesmo, mas sim o riso dos hábitos que inventamos para nós mesmos. A figura do palhaço, o riso e a melancolia serão abrigos, formas de escapar do vórtice negativo do desastre.

 

DIFUSÃO

CERGY, França. 19 e 20 abril 2023. Théâtre de Louvrais. Points-Communs Scène Nationale de Cergy.
POITIERS, França. 6 abril 2023. Théâtre Beaulieu. Festival À Corps.
VITRY-SUR-SEINE, França. 23 e 24 março 2023. Théâtre Jean Villar. Biennale de la danse du Val de Marne (Estreia)

Coreografia
Volmir Cordeiro
Performance
Marcela Santander Corvalan, Lucia Garcia Pulles, Martin Gil,Kiduck Kim, Cassandre Munoz/Moun, Anne Sanogo, Isabella Fernandes Santana, Washington Timbó
Sousafonista
Fanny Meteier
Luz
Abigail Fowler
Som
Aria De la Celle
Figurinos
Volmir Cordeiro em estreia colaboração com os performers e Coco Blanvillain
Olhar precioso
Paca Tim Faraus
Contra-regra
Aliénor Lebert
Duração
1'15

Coprodução
Points Communs - Nouvelle Scène Nationale de Cergy-Pontoise et du Val d’Oise ; La Briqueterie - CDCN du Val-de-Marne ; Charleroi Danse - Centre Chorégraphique de la Fédération Wallonie-Bruxelles ; Fondation  Royaumont ; King’s Fountain ; Théâtre Auditorium Scène Nationale de Poitiers ; L’Échangeur - CDCN Hauts-de-France ; Theater Freiburg; Le Phare - CCN du Havre-Normandie.

A Cie Donna Volcan é subvencionada pela Région Île de France.

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